março 26, 2004

Amor e disciplina

Pessoalmente sempre achei que isto de ter filhos é (deve ser) uma responsabilidade que se assume.
E, sem querer estar para aqui armado em pedagogo, acrescento que sempre achei que essa responsabilidade de ser pai / mãe se traduz por duas palavras que devem estar sempre presentes: amor e disciplina.
Amor, não apenas como equivalente do imenso afecto que sentimos pelos nossos filhos, mas, igualmente, como sinónimo de disponibilidade e atenção: estar com eles, brincar e passear com eles, conversar, responder-lhes a todos os porquês, explicar-lhes o mundo e a vida, ter paciência, estar atento e actuante ao dia-a-dia dos nossos filhos no jardim de infância e, depois, na escola... Isto, claro, só para citar alguns ítens.
Disciplina, no sentido de regras a cumprir (explicando, tanto quanto possível, o sentido dessas regras), não deixando os meninos fazer tudo o que lhes passa pelas cabecinhas nem lhes dando, de mão beijada, todos os objectos pedidos.
Teoricamente parece fácil. Na prática do quotidiano - todos os pais e mães sabem - é mais difícil do que parece.

Mas vem isto a propósito de uma notícia relativa às primeiras jornadas de Educação, subordinadas ao tema «Violência Escolar e Saúde Infantil», a decorrer hoje, e a declarações de António Ponces de Carvalho, presidente do comité português da Organização Mundial de Educação Pré-escolar (OMEP).
Referindo-se à falta de regras na educação de uma criança diz, nomeadamente:
«Uma criança que não tem de obedecer a regras em casa é um potencial agressor». Mais: «Existem fortes probabilidades de se transformar num toxicodependente e num aluno que não gosta da escola e que obtém maus resultados.»
«Um pai que dá tudo a um filho pensa que está a ser um bom educador, quando, na realidade, está a ser péssimo»diz o presidente da OMEP, alertando para o facto das crianças «mal educadas» - que nunca são contrariadas - desenvolverem níveis baixos de auto-estima, de autoconfiança e de resiliência (capacidade de resistir a contrariedades).
Ponces de Carvalho faz a distinção entre dois tipos de violência: a da criança que é agredida e a da criança que, «por não estar habituada a ouvir a palavra "não” reage agressivamente cada vez que não consegue obter algo. Isto porque não está habituada a conquistar nada».

Publicado por vmar em março 26, 2004 07:20 PM
Comentários

Bem dito e bem citado.

Um abraço,
Francisco Nunes

Afixado por: Planície Heróica em março 27, 2004 01:04 AM

Inteiramente de acordo com a visão de Ponces de
Carvalho, nós próprios que já lidamos com a situação em relação à adopção dos padrões educacionais dos nossos amigos ou simplesmente conhecidos fomo-nos apercebendo disso ao longo dos tempos face à forma como estes educaram seus filhos. Também sem ser pretencioso ao ponto de julgar ter sido um exemplo no campo educacional dos meus filhos, reconheço que não me saí mal com
o modelo adoptado. Mas reconheço que nos dias de hoje, existindo óbviamente honrosas excepções andam por aí muitos modelos de educação que são as todos os títulos condenáveis. Primeiro porque existem pais que julgam que educar os seus filhos é uma tarefa para os docentes dos estabelecimentos de ensino que eles frequentam. Nada de mais errado nisso. Outros há, com o argumento de que não têm tempo para dedicar à
educação dos filhos pura e simplesmente deixam essa tarefa às mães que normalmente são mais permissivas e tolerantes. Que se regista numa grande percentagem das camadas jovens uma manifesta falta de educação é uma infeliz realidade que constatamos no dia a dia.

Afixado por: congeminações em março 27, 2004 10:47 AM